L’essor d’Internet en Afrique de l’Ouest a élargi l’espace public numérique et ouvert de nouvelles perspectives pour la participation des femmes à la vie citoyenne et leur engagement en faveur de la justice sociale. Mais cette présence croissante en ligne s’est aussi accompagnée d’une multiplication des attaques coordonnées à leur encontre. Nombreuses sont celles qui subissent différentes formes de violence basée sur le genre dans l’espace numérique : cyberharcèlement, divulgation malveillante de données personnelles, désinformation sexiste, discours de haine, attaques de trolls, ou encore manipulation d’images et de vidéos par le biais d’hypertrucages (deepfakes). Ces abus visent à les réduire au silence, à les intimider et à les marginaliser — sapant ainsi leur capacité à prendre part librement au débat public, en ligne comme hors ligne.
Les recherches menées par la Fondation des médias pour l’Afrique de l’Ouest (MFWA) sur les violences sexistes en ligne révèlent une tendance alarmante : les femmes actives dans les médias et en politique sont régulièrement victimes de harcèlement coordonné. L’étude montre également que certaines d’entre elles renoncent à être présentes en ligne par crainte de subir des violences sexistes commises via les outils numériques, tandis que celles qui y restent restreignent leurs activités ou s’autocensurent pour s’en prémunir. Il en résulte un frein considérable à la participation citoyenne, à l’innovation, à la créativité et, plus largement, à la réalisation de leurs objectifs et ambitions.
À l’occasion de la Journée internationale des femmes, célébrée le 8 mars sous le thème « Droits. Justice. Action : pour TOUTES les femmes et les filles », la MFWA exhorte les gouvernements, les entreprises technologiques et les médias à adopter et à faire respecter des politiques de protection des femmes contre les violences sexistes en ligne. Car les droits n’ont de sens que s’ils sont réellement protégés et appliqués.
Depuis plusieurs années, la MFWA œuvre à l’autonomisation des femmes à travers des projets visant à les sensibiliser à leurs droits en ligne, à leur ouvrir l’accès à des postes à responsabilité et à favoriser leur participation au débat public, en ligne comme hors ligne. L’organisation documente et dénonce les violences sexistes en ligne — qu’il s’agisse d’attaques verbales contre des femmes politiques et des journalistes, ou de tentatives d’intimidation visant à les faire taire lors des périodes électorales. La MFWA plaide pour un renforcement de l’engagement de toutes les parties prenantes et pour des réformes structurelles permettant de réduire les inégalités de genre.
Les formations à la littératie numérique et la sécurité en ligne organisées par la MFWA au Liberia, au Ghana et en Sierra Leone ont permis à 430 femmes d’acquérir les outils nécessaires pour se protéger en ligne, s’exprimer librement et signaler les violations des droits humains en toute sécurité. Par ailleurs, dans le cadre du projet « À Voix Égales », l’organisation a formé des femmes journalistes au Ghana et en Côte d’Ivoire au journalisme sensible au genre — les aidant à identifier les biais discriminatoires, à adopter un langage inclusif et à garantir une représentation équitable des femmes dans les médias, tout en encourageant leur accès aux postes de direction au sein des rédactions.
Dans cette même dynamique, la MFWA a élaboré une note stratégique intitulée « Promouvoir l’égalité des genres dans les médias ghanéens », qui formule des recommandations concrètes : accroître la présence des femmes aux postes de décision, tendre vers une plus grande parité dans les contenus médiatiques, promouvoir des environnements de travail et des politiques tenant compte des enjeux de genre, renforcer les capacités en matière de plaidoyer pour les droits des femmes et encourager une collaboration plus étroite entre les différentes parties prenantes.
Bien que ces initiatives constituent des avancées significatives vers un environnement où les femmes et les filles peuvent participer en toute sécurité, en ligne comme hors ligne, la réduction des inégalités de genre en Afrique de l’Ouest ne peut reposer uniquement sur la sensibilisation, le plaidoyer et la formation. Un changement durable exige des réformes structurelles du cadre législatif et réglementaire, des garanties institutionnelles plus solides et une application rigoureuse et cohérente des protections et des sanctions existantes.
La MFWA appelle donc à la mise en place de dispositifs de signalement accessibles, transparents et soumis à des mécanismes de redevabilité, pour les femmes qui font face à des abus, du harcèlement ou des attaques organisées en ligne. Gouvernements, entreprises technologiques et médias doivent unir leurs efforts pour que les espaces numériques demeurent ouverts, sûrs et inclusifs pour la participation des femmes à la vie publique.
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Dia Internacional da Mulher 2026: Devemos proteger as mulheres contra a violência de género online
O aumento da penetração da internet na África Ocidental tem expandido o espaço público digital e criado novas oportunidades para a participação e liderança das mulheres na promoção da justiça social. No entanto, este crescimento da presença online tem sido acompanhado por um aumento de ataques coordenados dirigidos contra mulheres. Muitas são alvo de diversas formas de violência de género online, incluindo ciberbullying, divulgação maliciosa de dados pessoais (doxxing), desinformação de género, discurso de ódio, assédio organizado online (trolling) e manipulação de imagens e vídeos através de tecnologia de falsificação digital (deepfakes). Estes abusos procuram silenciar, intimidar e marginalizar as mulheres, comprometendo a sua capacidade de participar e liderar livremente no debate público, tanto online como offline.
A investigação da Fundação dos Media para a África Ocidental (MFWA) sobre a violência de género online na África Ocidental revela um padrão preocupante de assédio coordenado dirigido contra mulheres nos media e na política. O estudo demonstra ainda que algumas mulheres optam por não permanecer online por receio da violência de género online (Online Gender-Based Violence – OGBV), enquanto aquelas que continuam ativas na internet frequentemente limitam as suas atividades ou recorrem à autocensura para evitar esse tipo de violência. Esta realidade inibe a participação pública, a inovação, a criatividade e a concretização de objetivos e ambições.
Neste Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de março sob o tema “Direitos. Justiça. Ação: Para TODAS as Mulheres e Raparigas,” a MFWA insta os governos, as empresas tecnológicas e as organizações de media a adotarem e aplicarem políticas de proteção que salvaguardem as mulheres contra a violência de género online. A MFWA reconhece que os direitos não têm significado se não forem defendidos e aplicados.
Ao longo dos anos, a MFWA tem demonstrado um forte compromisso com o empoderamento das mulheres através de projetos que ajudam as mulheres a conhecer os seus direitos no espaço digital, a assumir posições de liderança e a participar no debate público, tanto online como offline. A organização tem igualmente documentado e denunciado casos de violência de género online — desde ataques abusivos contra mulheres políticas e jornalistas até tentativas de silenciar mulheres durante períodos eleitorais — e tem apelado a um maior envolvimento das partes interessadas e a reformas para reduzir a desigualdade de género.
As formações da MFWA em literacia digital e segurança online, realizadas na Libéria, no Gana e na Serra Leoa, já dotaram 430 mulheres de competências para se protegerem no espaço digital, fazerem ouvir a sua voz e reportarem violações de direitos humanos de forma segura. Além disso, no âmbito do projeto Equal Voices (Vozes Iguais), a organização formou jornalistas mulheres no Gana e na Costa do Marfim em reportagem sensível ao género. Estas formações ajudaram as jornalistas a reconhecer preconceitos contra as mulheres, a utilizar linguagem inclusiva e a garantir uma representação justa e equilibrada das mulheres nos media, incentivando também uma maior liderança feminina nas redações.
Como parte destes esforços, a MFWA desenvolveu também um documento estratégico intitulado Promoting Gender Equality in the Ghanaian Media (Promoção da Igualdade de Género nos Media do Gana). O documento apresenta recomendações práticas para aumentar o número de mulheres em posições de liderança nos media, promover maior equilíbrio de género nos conteúdos mediáticos, incentivar ambientes de trabalho e políticas sensíveis ao género, reforçar a capacidade de advocacia para a igualdade de género e fomentar a colaboração entre múltiplos intervenientes.
Embora estas iniciativas representem progressos importantes na criação de um ambiente em que mulheres e raparigas possam participar com segurança, tanto online como offline, a redução das desigualdades de género na África Ocidental não pode depender apenas de educação pública, advocacia e formação. Mudanças duradouras exigem reformas estruturais nas leis e políticas, mecanismos institucionais de proteção mais fortes e a aplicação consistente das proteções e sanções existentes.
Por isso, a MFWA apela à criação de mecanismos de resposta rápidos, transparentes e responsáveis para apoiar mulheres que denunciem abusos online, assédio e ataques coordenados. Os governos, as empresas tecnológicas e as instituições de media devem trabalhar em conjunto para garantir que os espaços digitais permaneçam abertos, seguros e inclusivos para a participação das mulheres na vida pública.


